Cientistas LGBTs se sentem mais à vontade para assumir orientação sexual no trabalho

 

POR MARÍLIA MARASCIULO

 (Foto: Rômolo/ Editora Globo)

Pesquisadores gays, lésbicas, bissexuais e transgênero são mais abertos sobre sua orientação sexual no ambiente de trabalho do que trabalhadores LGBT de outras áreas, principalmente quando os colegas são mulheres. Essa foi a principal descoberta de um estudo feito com mais de 1,4 mil pessoas que trabalham nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática e publicado no Journal of Homossexuality.

Os resultados mostraram que 57% dos participantes são abertos sobre a própria orientação sexual com metade ou mais dos colegas. Em outras profissões, essa proporção cai para 47%, segundo pesquisa da Fundação de Direitos Humanos (Human Rights Campaign Foundation) feita no ano passado em Washington, Estados Unidos. “As pessoas que trabalham com ciência tendem a ser mais liberais e bem-educadas, então eu diria que fiquei surpreso com os que responderam que não revelam a orientação sexual no ambiente de trabalho”, disse Jeremy Yoder, que estuda ecologia evolutiva na Universidade da Colúmbia Britânica.

Na opinião de Yoder, a pesquisa reforça a importância de aumentar a diversidade no trabalho. Ele destaca o fato de os participantes da pesquisa afirmarem sentir-se mais à vontade para revelar a orientação sexual quando cercados por mulheres. “Em geral, há um estereótipo de que cientistas são homens, heterossexuais e brancos. As mulheres, por si só, desafiam essa ideia, então faz sentido que cientistas LGBT se sintam mais à vontade entre elas”, afirma.

É por isso que, de acordo com o autor, o aumento da diversidade criaria uma espécie de efeito cascata que talvez pudesse ser estendido também a outras áreas: ambientes com maior equilíbrio de gênero tenderiam a tornar-se mais abertos às diferentes orientações sexuais, locais com maior diversidade racial poderiam ser mais tolerantes com outras expressões culturais e assim por diante.

*Fonte: Revista Galileu

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